“Pelada Tupiniquim”

Não há dúvidas de que a próxima eleição à presidência causará alvoroço. O Brasil, pela primeira vez, tem a grande possibilidade de eleger uma mulher a presidência. Antigos rivais se encontram; um querendo tirar as vantagens do outro, parecendo até não se preocuparem com a eleição em si. E no meio de tantos discursos, existe a bemfeitora, ofuscada pela sombra verbal imposta pelos outros candidatos – e mesmo assim, com uma boa, porem minoritária, reputação.

O político do PSB, Ciro Gomes, tem se destacado pela posição diferenciada mostrada na mídia. Ciro explicita em todo momento sua vontade de tirar o rival Jose Serra, do PSDB, do ringue, fazendo a diversão dos jornais e dos críticos da política brasileira, causando até uma expectativa por debates ácidos e ríspidos. A declaração de Ciro, questionando a aparência de Serra – chamando-o de feio, pronto, falei – e só o pontapé inicial para a pelada política de 2010. Serra, que promete trazer de volta as digitais de FHC, por outro lado, não entra nesse jogo, ainda. E faz cara de poucos amigos para provocações do oponente. Os rivais se mantêm bem na pesquisa, onde o candidato do PSDB esta em primeiro e o do PSB, está logo atrás, querendo ultrapassar.

Dilma Roussef, candidata do PT a presidência, fica feliz com a indicação de Lula e com os elogios de Hugo Chavéz – que afirma que ela vai manter vivo o legado criado pelo atual presidente. Fica tão feliz que sonha repetir o sucesso da fórmula criada pelo presidente americano, Barack Obama: usar a internet e telefones para arrecadação de fundos para a campanha. Em referência à famosa expressão do presidente dos Estados Unidos (“Sim, nos podemos), eu afirmo: não, ela não pode. Vai demorar bastante para surgir alguém à altura da campanha de gente grande – e inteligente – igual àquela de Obama.

Chega de puxar saco. Chega de política mal executada. É assim que Marina Silva, do PV, pretende ganhar as eleições. É melhor ela melhorar o discurso, porque em tempos de carta na manga, não existe discurso vencedor sem veneno escorrendo no canto da boca. Pelo menos assim aparentam ser as eleições a presidência do ano que vem. Assim funciona a pelada política do nosso país. A torcida está desnorteada, os jogadores estão a postos, doidos para dar carrinho uns nos outros, e o juiz já está maldito. Que o jogo comece.

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“A MTV Brasileira quer ser Norte-Americana”

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Assistindo ao VMA, Video Music Awards, que é a premiação da música e dos clipes norte americanos, me assustei. Sim, me assustei. Não pela supervalorização pelo espetáculo das apresentações com letras vagas (nem todas, claro), mas sim pela divulgação excessiva do VMB, versão tupiniquim da premiação americana. Não pára por aí. A questão vai bem mais longe quando notamos que a música brasileira mostrada pela MTV do nosso país parece bem perdida . Parece que não caiu a ficha de que nossa MTV, que tem o foco cem por cento em São Paulo, não percebeu que aqui não é Nova Iorque e que o evento citado anteriormente, no Brasil, só vem perdendo forças. A emissora vem reforçando – e nos sufocando com – essa idéia da moda “cult” e pop importada lá da parte de cima da América. Não vou tirar o mérito de Nova Iorque. Muito pelo contrário, bato palmas para a influência massiva que causa sob outros países e culturas.

Mas aí que está a problemática. Uma vez, o espectador assiste à shows do antigo Charlie Brown Jr, Paralamas do Sucesso, Titãs, e à “primeira” Pitty; em seguida, músicos como  Black Drawing Chaws, Emicida, Júpter Maçã, Nervoso e os Calmantes e Pública(!!!) estão sendo indicados ao prêmio deste anos de 2009. Falem a verdade: vocês já escutaram ou ouviram falar de algum destes grupos? Não! A visibilidade musical da MTV brasileira se perdeu faz muito tempo, priorizando programas como: Acesso MTV, com uma péssima apresentação por Léo Madeira (e outras duas meninas que não me recordo o nome) durante duas horas de atração; Quinta Categoria, com Marcos Mion, que é um cara talentoso, mas falhou nesse programa, plágio mais que óbvio do programa americano “Whose Line Is It Anyway?” e da peça carioca “ZÉ – Zenas Emprovisadas”; entre outros programas. Isso, sem comentar na quantidade de LAB’s que existe e na hiperdosagem do incrível humorista Marcelo Adnet, que aposto que faria o dobro de sucesso se não fosse esse peso morto que é a MTV brasileira.

Confesso que até pouco tempo acompanhava certos blocos do canal, porém, Multishow ganhou muito mais minha confiança pois não se preocupa em criar rótulos ou forçar uma posição musico-cultural dominante, precisando ser indie, emo, pop ou MPB – isso porque agora é “cult” curtir Erasmo Carlos e escutá-lo na chamada “grande premiação da música brasileira”.

A verdade é que a cultura está em todos os lugares, todas as músicas, roupas, tradições, costumes e gostos. Não vale rotular ou viver pensando em como copiar de outra pessoa, nação ou emissora. Acredito que sim, a MTV brasileira teve seus tempos de glória e de festa, mas isso tudo ficou para trás, com ótimos apresentadores como Didi Wagner, Edgar Piccoli, Fernanda Lima, Sabrina Parlatore e Sarah Oliveira e o “antigo” Cazé. Hoje, para quem ainda assiste ao canal, está entregue a uma “fotologueira” chata de cabelo azul e ao VMB que, quando crescer, quer ser VMA. Viva a cultura individual de cada um de nós.

VMA 2007

VMA 2008

“Uma Visão Apocalítica Sobre o Homem”

*Uma reflexão sobre o homem na sociedade atual

Fazendo uma contagem sobre os prós do Homem para a humanidade, é incontestável todo o valor que ele possui; através de conquistas de sobrevivência, realizando descobertas, grandes construções e dando passos largos para um avanço a favor da saúde, do bem estar e da comunicação da sociedade onde vive. Mas deve-se admitir que existe um grande “porém” em toda essa história, onde o Homem é a mente criadora de todos os males atuais: das guerras por terra ou com bomba nucleares, até disputa por petróleo e todas as ramificações da questão do aquecimento global.

Culpado? Inocente? Não. Carente.

Vamos voltar no tempo em que o Homem, homo sapiens, sente a necessidade de fixar-se na terra, cultivando alimentos e praticando a agricultura. Nesta primeira profissão da história vemos que ele precisa trabalhar em grupo, o que o força à comunicação com outros indivíduos. Acredito que, se nós nos comunicamos, é por trabalho (de ser cidadão, de ser um empregado, de conviver com outros indivíduos) ou por carência. Veja, o homo sapiens busca alguém que possa ajudá-lo naquela atividade gerando frutos para próximos, ou seja, para um bem maior. Assim como todos são. Mas a “carência”, sim, é a questão. Com o passar dos tempos, o Homem vive em busca de algo para se apoiar, para se manter em ocupação, vivo. Seja um ombro para chorar ou se divertir, ou para atingir outras pessoas.

Pequenos telefones celulares prometem diversão estrondosa, eventos garantem uma chance de momento inesquecível, sites causam polêmica, “quantos amigos você tem no Orkut?”, “quantas pessoas estão te seguindo no Twitter?”. O que é isso? É a tentativa do Homem de reconquistar aquilo que está ameaçado: a presença. Quando escrevo neste blog, espero que alguém esteja lendo e me compreenda, criando uma forte relação de “volte sempre se concordar com o que eu falo”, não mais de “informe-se e enriqueça seu intelecto”. A mensagem que a evolução dos meios passa é essa: perca-se; conheça pessoas e interaja online para que, através da internet, você possa fazer amigos pois aqui é bem mais legal!

Resenha – “Distrito 9” (2009)

Para inovar o novo cenário do cinema, diretores e produtoras têm procurado pela fórmula perfeita para o sucesso. O difícil é inovar sem ser criticado por isso; criar algo totalmente diferente do modelo hollywoodiano, causar agito, boas críticas, repercussão e sucesso, é quase que um desafio. A busca continua e alguns filmes já mostram cenas, sequências, planos e atuações implacáveis: técnicas de câmera na mão, como em “REC”, “Cloverfield” e “Filhos da Esperança”; prevalecimento de certas cores, como em “Quem Quer Ser um Milionário?”, com tom quente; entre outros. Tive acesso a “Distrito 9”, longa que chega aos cinemas brasileiros em 30 de outubro e deu o que falar nos EUA, sendo líder de bilheteria em agosto deste ano.

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Para que “Distrito 9” possa ser apresentado é necessário relevar que Peter Jackson, o diretor do gigantesco sucesso da trilogia “O Senhor dos Anéis”, comanda a produção do longa, que tem direção de Neill Blomkamp, estreante em cinema. O enredo é de fácil entendimento e envolvente pela proximidade com aquilo que se vive nos dias atuais: uma enorme nave alienígena chega a Terra em 1982, sem nenhuma explicação, trazendo consigo um povoado alienígena em busca de refúgio que com o passar de 28 anos, sofrem preconceito social. Tudo acontece na África do Sul, no estado de Johannesburgo, onde uma empresa chamada MNU planeja despejar os alienígenas, porém, ela mostra outros interesses, com o passar do filme. Estranho? Digo que não. Peço para que se prepare para presenciar uma mudança forte no cinema e abra sua mente e seus conceitos para este grande sucesso.

A história é de se estranhar, sem dúvidas, justamente porque iremos assistir “a mais um filme sobre alienígenas versus terráqueos” – desta vez sem Will Smith e toda a figura caricata do ser de outro planeta. Acontece que em “Distrito 9”, os ideais são muito bem propostos em formato de documentário, sendo assim, um documentário fictício sobre a coexistência entre humanos e extraterrestres durante 20 anos. O longa traz à tona diversas questões sociais como xenofobia (preconceito com estrangeiros), disputa territorial e luta pela democracia entre raças. É um filme claramente adulto e maduro, quanto aos fatores citados e com certeza não peca em nenhum segundo durante quase duas horas de exibição.

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A produção de Peter Jackson cria momentos de grande tensão, suspense e drama. É extremista quando diz respeito às sensações que causa no espectador. O documentário fictício também narra a história paralela de Wikus Van Der Merwe, funcionário da duvidosa empresa MNU, encarregado de coordenar o despejo dos alienígenas do Distrito 9 que acaba passando por experiências que vão acabar com a vida que ele conhecia, quando foi exposto à uma química dos outros seres. Wikus é um humano como qualquer outro e evolui a cada volta que sua vida dá; isso praticamente personifica o espectador, fazendo com que você torça para ele em todos os momentos do filme.

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Devo avisar que a produção não contém atores famosos, mas compensa com uma história memorável, forte e inovadora. Você vai se assustar com o vínculo que vai criar com os personagens, com a sociedade em conflito e com toda a história sobre tais acontecimentos do ano de 2010 mostrados no filme. Muito inteligente, crítico e incrivelmente bem feito em todos os aspectos (efeitos especiais, trilha, atuação, planos de filmagem, conceito, etc), “Distrito 9” é o primeiro de uma linhagem de filmes que vão revolucionar a maneira de se assisti-los. Não é o cinema que conhecemos. Ainda.

TRAILER:

Palestra com Maurício Azêdo (ABI) – 03/09/09

*Fotos por Reginaldo Pimenta

Para que os detalhes em torno do fim da exigência do diploma para jornalistas fossem esclarecidos, a Universidade Estácio de Sá do Campus Rebouças, no Rio Comprido, convidou o presidente da Associação Brasileira da Imprensa (ABI), Maurício Azêdo. O convite também foi feito à Suzana Blass, que é presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio, porém, por motivos de saúde não pôde comparecer. Na mesa de palestra, os professores de jornalismo Ricardo França, Luís Laranjo, Jorge Maroun e Emília Ferraz compartilham a opinião acerca do tema.

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Da esq. para dir.: Ricardo França, Maurício Azêdo, Luís Laranjo, Jorge Maroun e Emília Ferraz

Sem ir diretamente ao tema principal, Maurício Azêdo optou subir um degrau de cada vez, realizando primeiramente uma crítica ao meio de contratação atual de certos meios. “Antes bastava uma indicação individual ou entregar o currículo na redação”, diz. “Agora existem cursos preparatórios para realizar as etapas preliminares dos processos seletivos”, conclui o presidente. É verdade – e bem notável – o quanto a contratação em grandes empresas, agora, soa como mito; sempre impenetráveis e contactáveis apenas via “Fale Conosco” de e-mail, abandonando a questão presencial e dando lugar à uma relação restrita e “fria” com um candidato.

Maurício ainda ressalta as características que um jornalista necessita ter e que, com a perda do diploma, muitos precisarão desenvolver, se forem de outras áreas, como: a formulação da pauta, a técnica de reportagem, a técnica de entrevista e a ética jornalística. De maneira descontraída e com certo sarcasmo, o presidente da ABI critica o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que contribuiu para o fim do diploma e comparou a profissão do jornalista com a de um chefe de cozinha. “Se pedíssemos ao ministro do STF e um calouro do curso universitário de jornalismo para realizar a cobertura de um evento em trinta linhas, o jovem calouro o faria melhor, pela base que adquiriu na universidade”, diz Maurício Azêdo

gilmarmendes_maurícioazêdoOpiniões contrárias: Gilmar Mendes, ministro do STF (esq.), e Maurício Azêdo, presidente da ABI (dir.)

A palestra foi ganhando a participação dos professores da Estácio presentes na mesa, a medida em que dúvidas e assuntos instigavam um debate. Jorge Maroun e Emília Ferraz confirmavam o discurso de Maurício Azêdo, citando exemplos da carreira profissional e desenvolvendo a palestra, que foi tomando forma de “aula”, o que deixou muito mais interessante aquilo que se presenciava. Porém, foi o professor Ricardo França que engatilhou um ponto importante, quando compartilhava as experiências na construção do jornal de bairro que criou, quando jovem. “Minha mãe dava dinheiro para eu fazer o jornal e daí, assim que os vendia, devolvia tudo para ela”, diz ele. “Assim que eu soube do fim do diploma para jornalistas, percebi que isso nos faz imaginar um cenário; o cenário do mercado. Por exemplo, outro dia comprei um livro de jornalismo escrito por uma agrônoma e vi uma psicóloga fazendo a cobertura de um evento. Esse é um exemplo que o mercado nos dá, de que profissionais de outras áreas estão fazendo nosso papel. Mas eu acho que o que os estudantes estão fazendo aqui (no sistema universitário) é muito importante, vivendo o que a gente vive, e isso ninguém vai tirar da gente”, diz o professor Ricardo França.

São visíveis os “sintomas” de que indivíduos de outras profissões estão se aproximando do lugar que o jornalista ocupa. Assim como blogueiros. Pode até não ser intencional, mas é um fato que contribui para que estes sejam vistos como “jornalistas web writers” (ou seja, que escrevem para a web), o que é injusto, tendo em vista os 4 anos de aprendizado que um estudante universitário tem. Da mesma maneira que qualquer curso exige os anos de estudo, deve-se cumprí-lo para que possa ser exercido e fazer jus ao nome da profissão.

11Os professores aplaudem o fim do discurso de Maurício Azêdo, concluindo a palestra

Para fazer o encerramento com chave de ouro, o presidente da ABI cita as palavras do intelectual, teórico e jornalista Edmundo Moniz a Carlos Prestes, político comunista brasileiro, quando foi feita uma homenagem ao segundo, em 1974: “O importante não é a idade cronológica das pessoas, mas sim, a vitalidade e a juventude das suas idéias.” “Não se deve perder a esperança; a luta continua”, afirma Maurício Azêdo. “Dependendo do nosso grau de engajamento, seremos vitoriosos.”

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A medida em que os palestrantes esvaziavam a mesa, senti a necessidade de fazer breves perguntas ao presidente da ABI. Perguntas que tocassem levemente em pontos importantes.

Pablo: Quais são suas expectativas quanto ao jornalismo, agora, sem diploma?

Maurício: Eu acho que o aspecto do diploma é secundário nessa questão. O diploma é apenas a expressão gráfica daquilo que é mais importante, que é a formação do estudante nas escolas de comunicação social. E esse é o aspecto relevante. A inexistência da cobrança dessa formação em nível superior pode acarretar graves danos à qualidade técnica e cultural do jornalismo, que se pratica entre nós.

P: Qual é a sua opinião sobre jornalistas blogueiros?

M: Eu acompanho a uma certa distância essa questão, mas não atribuo ao jornalista blogueiro, a importância que se deve atribuir. Porque o jornalismo que pode ter repercussão no meio social é aquele feito pelos veículos eletrônicos como rádio e tv e pelo jornal impresso. O jornalista blogueiro é uma curtição de quem o pratica, mas sem a repercussão social que o jornalismo precisa ter para ser uma atividade socialmente importante.

P: Entendo o ponto de vista, mas existem blogueiros que estão cada vez mais polêmicos, sendo entrevistados em jornais ou ganhando atenção na TV.

M: É, mas não são jornalistas. Não devem ser discriminados. Devem ser vistos com respeito, mas sem se atribuir ao jornalistas blogueiros qulaquer importância do ponto de vista daquilo que é a destinação dos jornalistas, que é influir no meio social visando a melhoria na qualidade de vida das pessoas.

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Não sei quanto a opinião de quem está lendo isso, mas creio que o jornalismo em blogs já deixou de ser uma curtição. Acredito que já é um sinal evidente na mudança profissional de comunicadores – ou até de outras áreas. Como exemplo, percebemos a cobertura online do prêmio Multishow, feita por blogueiros, até com mensagens instantâneas no Twitter. Existem também, empresas que pedem blogs e perfil de Orkut, justamente na intenção de ter uma prévia  do possível futuro funcionário. Não entenda mal, ou veja isso de maneira apocalíptica, mas dê, de fato, atenção a esses sinais.

Resenha Crítica – “Numb” (2007)

Difícil traduzir os 93 minutos que o “Numb”, dirigido por Harris Goldberg, proporciona a um espectador. O filme, de 2007, tem nuances de drama, comédia e romance. Todos os elementos se misturam facilmente, encaixados em exata dose e lugar.

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O enredo é sobre um roteirista, Hudson, que desenvolve um distúrbio de despersonalização, o que o faz perder o senso de realidade e sonho. Quando o personagem encontra o amor da sua vida, é hora de colocar os pés no chão e fazer de tudo para que ela não o abandone por seus defeitos, pulando de terapias e lidando com personagens estranhos no caminho. Neste trajeto, ele enfrenta fantasmas do passado, num relacionamento conturbado com a mãe, contrastando com o carinho infinito pelo pai, que Hudson teme que morra.

Interessante, não? Fica melhor quando o incrível ator Matthew Perry assume as rédeas da atuação sob o personagem Hudson. Perry, muito conhecido pelo papel do sarcástico Chandler, em “Friends”, tira de letra o papel e o desenvolve continuamente durante o filme, dando uma sensação de que sempre podemos esperar algo novo do personagem principal – uma característica muito boa que o ator sempre aplica em seus trabalhos.

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Citar o gênero “romance” neste filme requer certo cuidado, uma vez que este seja banalizado, por soar sempre previsível. Bom, “Numb” veio pra mostrar que é uma exceção, assim como poucos filmes por aí. O longa pode ser comparado à “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”. Não pelo enredo, mas sim pela química excepcional entre os personagens que parecem sempre, ao decorrer do filme, se libertar, se surpreender – e, conseqüentemente, fazendo o mesmo com quem assiste ao filme.

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A ferramenta encontrada para dar credibilidade ao amor surge tão sutilmente que você se apaixona pela maneira como ele é oferecido; fazendo o espectador flutuar sob efeito de frases, diálogos e atitudes inesperadas, acompanhadas de uma trilha sonora alternativa e implacável. “Numb” vai além das expectativas geradas pelo trailer, propondo uma “viagem” entre o que é real e o que é sonho sobre o amor, as pessoas e a vida.

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“Você não segue a mídia; ela te segue”

Aqui vai uma reflexão grandiosa de se fazer: você não segue a mídia; ela te segue.

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No despertar da chamada “Era da Comunicação”, se fazia e circulava informação de qualidade para que todos os indivíduos tivessem acesso à notícias, relato de grandes acontecimentos, etc. Porém, o esquema foi corrompido e, daí, surge a grande questão sobre o que causou isso. Eu digo que fomos nós mesmos. Sim, “o feitiço se voltou contra o feiticeiro”. Agora, não dá para colocar um limite nisso tudo pois os meios sempre vão encontrar um jeito de te levar alguma informação – seja a universidade lhe enviando SMS sobre retorno às aulas, ou alguma empresa de eletrônicos lhe oferecendo o mais novo produto da moda pelo smartphone.

Acontece que a tendência é ficar pior; encare isso. Veja, estamos agindo incoscientemente quando assistimos a um grande evento e desejamos tirar uma foto para postar no Orkut, ou talvez gravar um vídeo para colocar no YouTube. Já se tornou um reflexo vicioso, não mais uma vontade de compartilhar. O pensador frânces Guy Debord, em seu texto “A Sociedade do Espetáculo”, afirma: “a experiência em si não tem tanto valor; importa mais a prova de que ela, de fato, existiu”. Como exemplo, dois vídeos famosos no YouTube confirmam que o momento terá mais valor se for publicamente divulgado, podendo até render uma popularidade inesperada. Primeiro, temos os irmãos Harry e Charlie, que têm momentos filmados pelos pais em viagens, passando o tempo em casa ou brincando. Em um dos vídeos, Charlie – mais novo, com cerca de 3 anos de idade – morde o dedo do irmão, Harry – mais velho, cerca de 6 anos. Pelo clima descontraído e amigável que os quase dois minutos de vídeo passam, a expectativa era de que se tornasse um hit. E assim foi feito um grande sucesso da internet, assistido 117 milhões de vezes (!), o que gerou este blog (criado pelos pais dos meninos), com direito à camisas personalizadas do famoso vídeo. Outro exemplo dessa supervalorização aos momentos registrados e publicados é o vídeo do início da cerimônia de casamento de Jill Peterson e Kevin Heinz. O casal, juntos com os padrinhos e madrinhas, tiveram a idéia de fazer uma performance de entrada à igreja ao som da música “Forever”, do rapper Chris Brown. O vídeo foi assistido cerca de um milhão e oitocentas vezes por pessoas ao redor do mundo, rendendo uma paródia produzida pela produtora americana NYVideoProduction, onde atores simulam um divórcio fictício de Jill e Kevin, dançado por atores.

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Contudo, só resta sabermos até quando vamos suportar este “turbilhão” de informações que chegam até nós, pedindo nossa atenção e praticamente gritando por reconhecimento. Os meios de comunicação de massa tendem a se compactar de maneira extraordinária, no momento em que pequenos dispositivos, como celulares, smartphones e palms, começam a realizar grandes ofertas como o acesso à internet, câmera 3G, conversas instantâneas, etc. A pergunta é: quem está sob controle? você ou a mídia?

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Vídeo Harrry & Charlie aqui.

Vídeo Casamento Jill & Kevin aqui.