“Você não segue a mídia; ela te segue”

Aqui vai uma reflexão grandiosa de se fazer: você não segue a mídia; ela te segue.

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No despertar da chamada “Era da Comunicação”, se fazia e circulava informação de qualidade para que todos os indivíduos tivessem acesso à notícias, relato de grandes acontecimentos, etc. Porém, o esquema foi corrompido e, daí, surge a grande questão sobre o que causou isso. Eu digo que fomos nós mesmos. Sim, “o feitiço se voltou contra o feiticeiro”. Agora, não dá para colocar um limite nisso tudo pois os meios sempre vão encontrar um jeito de te levar alguma informação – seja a universidade lhe enviando SMS sobre retorno às aulas, ou alguma empresa de eletrônicos lhe oferecendo o mais novo produto da moda pelo smartphone.

Acontece que a tendência é ficar pior; encare isso. Veja, estamos agindo incoscientemente quando assistimos a um grande evento e desejamos tirar uma foto para postar no Orkut, ou talvez gravar um vídeo para colocar no YouTube. Já se tornou um reflexo vicioso, não mais uma vontade de compartilhar. O pensador frânces Guy Debord, em seu texto “A Sociedade do Espetáculo”, afirma: “a experiência em si não tem tanto valor; importa mais a prova de que ela, de fato, existiu”. Como exemplo, dois vídeos famosos no YouTube confirmam que o momento terá mais valor se for publicamente divulgado, podendo até render uma popularidade inesperada. Primeiro, temos os irmãos Harry e Charlie, que têm momentos filmados pelos pais em viagens, passando o tempo em casa ou brincando. Em um dos vídeos, Charlie – mais novo, com cerca de 3 anos de idade – morde o dedo do irmão, Harry – mais velho, cerca de 6 anos. Pelo clima descontraído e amigável que os quase dois minutos de vídeo passam, a expectativa era de que se tornasse um hit. E assim foi feito um grande sucesso da internet, assistido 117 milhões de vezes (!), o que gerou este blog (criado pelos pais dos meninos), com direito à camisas personalizadas do famoso vídeo. Outro exemplo dessa supervalorização aos momentos registrados e publicados é o vídeo do início da cerimônia de casamento de Jill Peterson e Kevin Heinz. O casal, juntos com os padrinhos e madrinhas, tiveram a idéia de fazer uma performance de entrada à igreja ao som da música “Forever”, do rapper Chris Brown. O vídeo foi assistido cerca de um milhão e oitocentas vezes por pessoas ao redor do mundo, rendendo uma paródia produzida pela produtora americana NYVideoProduction, onde atores simulam um divórcio fictício de Jill e Kevin, dançado por atores.

experiências

Contudo, só resta sabermos até quando vamos suportar este “turbilhão” de informações que chegam até nós, pedindo nossa atenção e praticamente gritando por reconhecimento. Os meios de comunicação de massa tendem a se compactar de maneira extraordinária, no momento em que pequenos dispositivos, como celulares, smartphones e palms, começam a realizar grandes ofertas como o acesso à internet, câmera 3G, conversas instantâneas, etc. A pergunta é: quem está sob controle? você ou a mídia?

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Vídeo Harrry & Charlie aqui.

Vídeo Casamento Jill & Kevin aqui.

4 respostas em ““Você não segue a mídia; ela te segue”

  1. Cara muito bom seu post… É, verdade a mídia que segue a gente… Se nao aceitamos alguns de seus serviços até acabamos sendo “caretas” e mesmo pagando pelo não modernismo… Hoje é muito mais fácil mandar um email, do que escrever uma carta e esperar que ela chegue em 2 ou 3 dias… [Porém não tem a mesma emoção que receber uma cartinha escrita a mão]

    É, muito mais barato ligar a webcam, e ver a pessoa do outro lado. Do que gastar com viagem até para outro país [porém não tem o calor de um longo e gostoso abraço.]

    Mais simples e viavel termos um celular e poder ser encontrado a qualquer hora e lugar, do que ficar em casa plantado esperando uma ligação importante. [Porem, isso fica mais caro e não se pode falar com a calma que se gostaria].

    Muito melhor ter uma camera digital, bater uma foto e logo poder apaga-la se nao ficar a nosso gosto [porem nao terá mais um clima de naturalidade]

    Enfim, resumindo: Mídia, tecnologia é muito bom sem dúvida, porem se usada nos momentos em que se cabe [porque do contrario nos tornaremos cada vez mais em robos, frios e sem calor humano. Simplesmente controlados pela mídia e seus produtos]

    http://euvoustar.blogspot.com

    Volte lá sempre que quiser..

  2. Boa Pablo! No fim das contas, o conhecimento adquirido é superficial. A prova disso é que a maioria não percebe que essa influência é tão significativa. Estamos trocando a reflexão pela exposição.
    Valew!

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