“A MTV Brasileira quer ser Norte-Americana”

vma vmb

Assistindo ao VMA, Video Music Awards, que é a premiação da música e dos clipes norte americanos, me assustei. Sim, me assustei. Não pela supervalorização pelo espetáculo das apresentações com letras vagas (nem todas, claro), mas sim pela divulgação excessiva do VMB, versão tupiniquim da premiação americana. Não pára por aí. A questão vai bem mais longe quando notamos que a música brasileira mostrada pela MTV do nosso país parece bem perdida . Parece que não caiu a ficha de que nossa MTV, que tem o foco cem por cento em São Paulo, não percebeu que aqui não é Nova Iorque e que o evento citado anteriormente, no Brasil, só vem perdendo forças. A emissora vem reforçando – e nos sufocando com – essa idéia da moda “cult” e pop importada lá da parte de cima da América. Não vou tirar o mérito de Nova Iorque. Muito pelo contrário, bato palmas para a influência massiva que causa sob outros países e culturas.

Mas aí que está a problemática. Uma vez, o espectador assiste à shows do antigo Charlie Brown Jr, Paralamas do Sucesso, Titãs, e à “primeira” Pitty; em seguida, músicos como  Black Drawing Chaws, Emicida, Júpter Maçã, Nervoso e os Calmantes e Pública(!!!) estão sendo indicados ao prêmio deste anos de 2009. Falem a verdade: vocês já escutaram ou ouviram falar de algum destes grupos? Não! A visibilidade musical da MTV brasileira se perdeu faz muito tempo, priorizando programas como: Acesso MTV, com uma péssima apresentação por Léo Madeira (e outras duas meninas que não me recordo o nome) durante duas horas de atração; Quinta Categoria, com Marcos Mion, que é um cara talentoso, mas falhou nesse programa, plágio mais que óbvio do programa americano “Whose Line Is It Anyway?” e da peça carioca “ZÉ – Zenas Emprovisadas”; entre outros programas. Isso, sem comentar na quantidade de LAB’s que existe e na hiperdosagem do incrível humorista Marcelo Adnet, que aposto que faria o dobro de sucesso se não fosse esse peso morto que é a MTV brasileira.

Confesso que até pouco tempo acompanhava certos blocos do canal, porém, Multishow ganhou muito mais minha confiança pois não se preocupa em criar rótulos ou forçar uma posição musico-cultural dominante, precisando ser indie, emo, pop ou MPB – isso porque agora é “cult” curtir Erasmo Carlos e escutá-lo na chamada “grande premiação da música brasileira”.

A verdade é que a cultura está em todos os lugares, todas as músicas, roupas, tradições, costumes e gostos. Não vale rotular ou viver pensando em como copiar de outra pessoa, nação ou emissora. Acredito que sim, a MTV brasileira teve seus tempos de glória e de festa, mas isso tudo ficou para trás, com ótimos apresentadores como Didi Wagner, Edgar Piccoli, Fernanda Lima, Sabrina Parlatore e Sarah Oliveira e o “antigo” Cazé. Hoje, para quem ainda assiste ao canal, está entregue a uma “fotologueira” chata de cabelo azul e ao VMB que, quando crescer, quer ser VMA. Viva a cultura individual de cada um de nós.

VMA 2007

VMA 2008

3 respostas em ““A MTV Brasileira quer ser Norte-Americana”

  1. Alguns anos atrás a MTV era uma canal que em algumas horas fazia o papel de “canal educador” desenvolvendo algumas ações para o público que se bem estimulados poderiam trazer bons frutos não só para os jovens mais para todo o público em geral . Esse canal que era a esperança de algo novo, inovador, se tornou um canal Maria vai com as outras, tipicamente um enlatado Norte Americano. É triste e até certo ponto constrangedor ver algo que poderia ser o “diferencial” tornou-se “igual” porém com sérias discrepâncias. Não somos cowboys, somos um povo que precisa de informações compatíveis com a nossa realidade.

  2. Concordo super com seu post. Eu assisti ao VMB e assumo que o VMA é mil vez melhor pelo simples fato que quando eu assisto a “versão brasileira” eu acho um tédio ok?! não conheço nem a metade das bandas que concorrem normalmente, daí vem a cabeça o pensamento de torcer pela única banda que eu conheço apesar de detestá-la, eu andei comentando sobre isso com alguem… Não tem graça alguma o principal do programa; a premiação. Eu não conheço as bandas que concorrem :O e aposto que a maioria dos jovens que assistem também não, no máximo aquelas bandinhas como nx zero, os novatos do cine, fresno, pitty (eca) e por aí vai… Se querem fazer uma versão brasileira de um ótimo programa (vamos combinar que é, pelo menos o americano) façam direito, mesmo não tendo conteúdo suficiente pq o que passam no VMB na minha visão é isso. Quem assiste de fora e vê aquelas bandas e cantores grotescos se pergunta: que diabos estavam pensando ao criar uma versão tão ? (a decepção é tanta que não encontro palavra pra por ali :S)

  3. Pionzito!Concordo com alguns pontos que você mencionou, mas acho que foi muito forte você dizer que a MTV é um “peso morto” para Marcelo Adnet, não podemos esquecer que, foi a music television que abriu portas ao comediante. Mas achei foda e oportuno o que você falou sobre o “plágio” da premiação brasileira rsrs…Realmente a cada ano a emissora tenta se comparar a premiação gringa, sad =/
    Mas um ps: a mtv só toca aquilo que os jovens andam curtindo, no momento, o emo está em alta. Por que não dizer o sertanejo universitários??? A gente tem que ficar de olho no novo estilo musical hein…See you later!!!

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