O Brasil percebeu as redes sociais (finalmente)

Foi necessário subir alguns degraus e receber retorno para que os internautas brasileiros percebessem a magnitude das redes sociais. Mais especificamente, o poder de palavra no Twitter. Não há como afirmar por todos eles, mas é óbvio que o público dominante nas redes sociais é o norte americano e isso parece sempre distanciar a cultura digital deles da nossa. Porém, tivemos tempo para aprender que fazemos todos parte de uma bolha social reunida com um punhado de ferramentas comunicativas, e agora sabemos o que fazer com elas: gerar conteúdo – seja ele bobagento ou construtivo.

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Não foi de uma hora para outra que se sofreu esse clique de conscientização. Foi necessária uma mobilização nacional para se virar contra o locutor Galvão Bueno, que gerou o CALA BOCA GALVAO. Iniciado no Twitter, o protesto foi tão grande que levou o grupo NerdsKamikaze a criarem um vídeo viral e fictício que perpetuava a brincadeira de que CALA BOCA significava “Salvem os” e GALVAO era uma ave em extinção no Brasil – uma vez que as palavras chegaram aos termos mais mencionados na rede social durante quase toda a participação do país na Copa de 2010.

Deixou de ser diversão e se tornou um case de sucesso. Chegou à mídia internacional e os internautas brasileiros conquistaram espaço durante certo tempo, levando o slogan “A nação que enganou o mundo” ou “A maior piada mundial criada por um país inteiro“ a ser espalhado em blogs diversos.

Depois desse episódio, usuários tomaram mais confiança do papel desempenhado por eles nas redes sociais e tiveram uma prova de que tudo que acontece naquele espaço é levado a sério e pode gerar um buzz de pequena ou grande escala. Não demorou muito para movimentos distintos surgirem defendendo ou ofendendo uma causa.

Foram inúmeros debates sobre vloggers – blogueiros que usam vídeos -, bandas juvenis, apresentadora Ana Maria Braga, vídeos populares do YouTube, entre outros. O piauiense Lucas Celebridade, por exemplo, fazia ensaios sensuais e os postava nas redes, até começar a divulgar vídeos caseiros afirmando que gostaria de ser famoso. Foi aí que os internautas viram que ele vivia em uma casa humilde, mas tinha grandes ambições. Em aproximadamente dois dias, usuários se mobilizaram através do site Vakinha para arrecadar dinheiro para reformar a moradia do blogueiro – realizando um grande sonho.

Don Tapscott, autor de “A Hora da Geração Digital”, afirma que a geração que domina o momento é a Geração Internet e que esta exerce a máxima antigamente falada: poder ao povo. Criamos, produzimos, desfrutamos, levamos ao sucesso e destruímos qualquer tipo de conteúdo – seja ele uma pessoa, um programa de TV, um site, um presidente, ou quem sabe um ator.

Sylvester Stallone, astro hollywoodiano que viveu “Rambo”, veio ao Brasil para gravar um novo filme e muitos paparazzi foram atraídos por isso. Mas nada de ruim surgiu e a vinda do ator foi normal. Perto da data de estreia do longa, ao falar com a imprensa, Stallone afirmou que “você pode explodir coisas e fazer o que quiser lá no Brasil, que ainda assim eles te dão um macaco de presente”. Algo do tipo, e que ecoou nas redes sociais de uma forma bem negativa para ele. No Twitter, foi instantâneo o repúdio pela afirmação. No Facebook, o evento “Boicote ao filme do Stallone” contou com a presença de aproximadamente 957 brasileiros internautas indignados – e o número continua crescendo.

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São inúmeros cases que já surgiram e não vão parar de surgir. O “clique” que fez os brasileiros perceberem como pode funcionar a web aconteceu e parece ser só uma questão de tempo para que muitos novos internautas deem as caras pelas redes sociais. Há quem queira participar dos movimentos – ofendendo, defendendo, causando ou fomentando conteúdo.

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