Como a série “The Hour” pode ajudar estudantes de jornalismo

Não seja um romântico com o jornalismo. Certamente, ele não será com você. Não falo especificamente do seu gosto pela profissão – que obviamente irá mudar com o decorrer dos anos. Digo pela relação que você terá com suas atividades rotineiras e pelas funções nada similares àquelas praticadas nos anos de universidades.

Mas não lamente, pois sempre há maneiras de renovar seu engajamento e posicionamento perante pautas, entrevistas, coletivas, passagens, etc. Aqui vai uma dica para engajar: “The Hour”. Trata-se de uma série da britânica BBC2, lançada ainda neste ano. Por que a série é uma boa? Porque são boas horas que lembram os pontos positivos e negativos que o moveram a tentar uma vida como jornalista: agilidade, informação aos montes, horas e horas de trabalho (quase ou talvez full time), incansável apuração, busca incessante pelo conhecimento e… um mistério. É, eu sei que você já pensou no jornalismo romântico, com muita investigação, premiações, pautas aprovadas e aclamadas, e muito mais.

Com uma história que se passa em 1956 na Grã-Bretanha, “The Hour” aborda a rotina de um telejornal que leva o mesmo nome do seriado e, paralelamente, a crise do canal Suez. Em um momento, estes dois elementos se colidem e fará todo sentido, mas é preciso ter cautela e intelecto histórico para gostar da série, devo avisar.

Freddie Lyon produz um noticiário na emissora BBC, junto com Bel Rowley. O primeiro encara as tarefas que lhe são passadas com muito tédio, sempre irritado por ter que reportar matérias que vêm “de cima”. Enquanto isso, Bel é a mulher que não quer viver à custa do trabalho de um homem e, por isso, se envolve com a profissão para alcançar posições de destaque. E é por dar duro no trabalho que ela recebe oferta para produzir um novo telejornal na BBC, sendo que o cargo é o tão almejado posto por Freddie – seu parceiro e secreto admirador. Com a conquista de comandarem o novo noticiário, chamado de “The Hour”, eles vão encarar desafios rotineiros para lidar com censura, guerra, crises políticas e relações internas. Essa história conflita com um assassinato no qual Freddie está, de certa forma, envolvido. Tendo dito o grosso da história, é válido que você se jogue no enredo e nos seis capítulos desta breve temporada. Vale dizer que haverá uma segunda temporada, em 2012. Ah, e a série não é exibida no Brasil, mas está por aí nas interwebs ;)

Quem está estudando jornalismo vai ganhar uma bagagem para sua profissão, pois “The Hour” agrega algo ao senso profissional. E isso é prático de listar. Saiba os elementos mais importantes da série e que podem contribuir com a evolução profissional do estudante de jornalismo:

Certas vezes, SEJA a profissão.

Estudar é vital e deve fazer parte de sua vida como comunicólogo e jornalista. Você precisa entender que o core da profissão é que você esteja integrado com ela; ser comunicativo (a), ter dinâmica, ter intelecto informacional, gostar de escrever/ler, ter fácil análise e ser perspicaz… Isso é só o início. Aplicar estes elementos à sua rotina é, de fato, tornar-se a profissão e trazê-la para sua personalidade.

Relações são cruciais.

Conhecer as pessoas certas é só uma questão de tempo, pois a importância vai depender dos objetivos que você quer alcançar, pautas que quer cumprir, entrevistados a encontrar, e por aí vai. Seja você mesmo e faça um esforço para criar um círculo social de boas pessoas. Não seja egoísta, prepotente ou fanfarrão. Apenas entenda que o mercado funciona de uma maneira peculiar e nunca se sabe quando você vai precisar de ajuda, ou quando você poderá ajudar. O âncora do seriado conseguiu alcançar tal posto através de contatos, assim como os repórteres do “The Hour” sempre recorrem às fontes.

Engajamento é impulso, Movimento é ação.

“Esta tem que ser A HORA que você não pode perder”, disse Freddie Lyon, do seriado. Não fique parado! Apurar, investigar, produzir, pesquisar… Tudo envolve sua latente participação profissional com suas atividades/deveres. Fazer tudo a passos lentos e esperar que tudo funcione com boa qualidade é besteira. Boa qualidade várias pessoas podem ter. Correr atrás, ser persistente – se necessário, beirando a chatice -, talvez seja o caminho para a ótima qualidade. Já dizia uma frase que conheço: “Temos que superar a noção de que temos que ser regular. Isso rouba a chance de ser extraordinário”.

Conhecimento é um bem valioso.

Para acompanhar o desenrolar da história do seriado, é preciso ter noções de história. Pelo menos, pesquisa antes, durante e depois de assisti-lo. Notável perceber que os principais personagens do “The Hour” são extremamente inteligentes e ligados às notícias. O que digo é: estabeleça uma área que lhe convém e é de seu interesse e, então, mantenha o foco; esteja atualizado, estude, seja uma “bíblia” para os outros sobre este tal assunto. Não fique se achando, mas tenha a humildade de ser eterno aprendiz. O conhecimento pode te tornar uma exceção – ou parte dela.

Anúncios

Pessoal – “Ode à Gema Ensopada”

Já é bem comum comentar que o Rio de Janeiro é a cidade do momento, ao redor do globo, e é inegável sua beleza, seu “jeitão” e seu povo. Povo esse, carioca, que tem tido certos desgostos ultimamente. Pois é, a cidade maravilhosa anda deixando a desejar. Culpa de prefeito? Falta de atitude? Talvez sim, talvez não, mas é certo que não há um morador do Rio de Janeiro que não reclame do atual estado da cidade onde vive.

Tentarei explicar-me com certa cautela, pois não estou sendo “cariocêntrico”, deixando de lado outros lugares onde provavelmente acontece o mesmo – ou até pior. Entenda, o Rio de Janeiro teve tudo para merecer o 2016, mas tem muito para trabalhar até lá. Comecemos pela constante falta de luz em diversos bairros como Ipanema, Copacabana, Maracanã, Laranjeiras, Jardim Botânico, Zona Oeste, etc. Depois do apagão estadual, virou moda as lâmpadas falharem após 3, 5 minutos de chuva. Nas proximidades de onde moro, por exemplo, a falta de luz no mês de dezembro foram quase três vezes seguidas,  deixando idosos, doentes, crianças e outros, na mão. Essa mesma chuva veio bem forte desde o meio de 2009 até o ano atual e tem piorado cada vez mais.

O fato é que ninguém é culpado pela chuva, e também, que a Cidade Maravilhosa não sabe lidar com a chuva. Certa vez ouvi que o “Rio de Janeiro não funciona com chuva na mesma proporção que São Paulo não compreende altas temperaturas”. Claramente, palavras de um sábio qualquer. Porém, bem verdadeiras porque não há como reagirmos ao estado climático atual, que é uma montanha russa desenfreada.

Com todo burburinho ambiental, à la save the world – com direito a debate falho em Copenhague – a preocupação com o rumo desse descontrole temporal é diária. Para nós, cariocas da gema, isso se reafirma quando passamos parte do dia e tarde num sol escaldante, seja no Centro da cidade, Bangu, Méier, São Gonçalo ou Quintino, e lidamos com a chuva torrencial pela noite. Trocamos o hábito do banho de mar e enfrentamos os “caldos” das chuvas que nos deixam ensopados.

“O blecaute e o próximo passo do jornalismo”

Tenho certeza de que grande parte da população brasileira esteja trocando experiências e versões do blecaute que invadiu 100 milhões de brasileiro e cerca de 800 cidades brasileiras. Quando percebi que as luzes apagaram não só aqui em casa, mas também no bairro Maracanã e Méier (proximidades do local onde moro), fiquei com uma curiosidade absurda para descobrir o que havia acontecido e, principalmente, como os veículos iriam lidar com isso. Fiz uma ‘ronda’ pelos principais sites de notícias do Brasil, assim como Twitter e Google.

Como sempre, o G1, site de notícias da Globo, foi o primeiro a noticiar o acontecimento. Em seguida, o Extra e O Globo Online. Por fim R7, da Record, também publicou nota. No Twitter, que se destaca pelas mensagens instantâneas com uma dimensão global, o blecaute foi repercutido. De 22:20, horário em que tudo ficou às escuras, até 22:30, já haviam mais de mil pessoas falando sobre #apagão, #blecaute, #luz. Sem comentar na frase que ficou famosa naquele momento, dita pelo comediante Rafinha Bastos: “O apocalipse chegou e só Madonna será salva. Só ela tem Jesus e luz.”

As luzes foram enfraquecendo aos poucos e, depois de 10 segundos, se foi. Cinco minutos depois, entro no laptop e vejo que o G1 deu estado URGENTE no site. Passando 2 a 4 minutos, fiz uma ronda pelos outros sites de notícia. Segue a ordem e aparência dos sites que visitei, na medida em que as informações foram surgindo e fluindo. Ah! Vale reparar no estilo da caixa de URGENTE que aparecem nos sites, após o da Globo.com.

G1 – GLOBO.COM

BLECAUTE ESTADUAL_1

FOLHA ONLINE

BLECAUTE ESTADUAL 2_1EXTRA ONLINE

BLECAUTE 9_1

O GLOBO ONLINE

BLECAUTE 6_1

R7

BLECAUTE 4_1

No Twitter, a cada 5 minutos eram cerca de mil e duzentas ‘twittadas’. Em 15, ou seja, às 22:35, eram mais de 11 mil. E por aí seguiu um número estrondoso de piadas, relatos ou simplesmente, pessoas procurando respostas. A imagem abaixo é de 22:25, pois foi o segundo site que visitei.

BLECAUTE TWITTER_1

Uma vez, me peguei pensando se, quando tudo ficasse às escuras e a energia acabasse, os veículos, a mídia, se daria por vencida – talvez até desistindo do propósito de informar, compartilhar e noticiar. Não, não hoje. Atualmente, todos procuram fazer parte de algo, ser integrados em um meio social, em um fórum, um site, um acontecimento. Quando algo como um apagão acontece, se pensava se isso havia acontecido só na sua rua, ou no bairro. Ontem, em 4 horas e meia, eu soube o início, o meio e o desfecho desse fato. Não pela interminável curiosidade, mas porque todo tipo de informação que eu procurava, me era entregue.

O blecaute de ontem (10), para hoje (11) põe uma questão na mesa: qual é o próximo passo que essa mídia incansável vai tomar, se ela não consegue nem fraquejar durante um minuto e 20 segundos (tempo que o G1 demorou para noticiar o acontecimento)?

“Pelada Tupiniquim”

Não há dúvidas de que a próxima eleição à presidência causará alvoroço. O Brasil, pela primeira vez, tem a grande possibilidade de eleger uma mulher a presidência. Antigos rivais se encontram; um querendo tirar as vantagens do outro, parecendo até não se preocuparem com a eleição em si. E no meio de tantos discursos, existe a bemfeitora, ofuscada pela sombra verbal imposta pelos outros candidatos – e mesmo assim, com uma boa, porem minoritária, reputação.

O político do PSB, Ciro Gomes, tem se destacado pela posição diferenciada mostrada na mídia. Ciro explicita em todo momento sua vontade de tirar o rival Jose Serra, do PSDB, do ringue, fazendo a diversão dos jornais e dos críticos da política brasileira, causando até uma expectativa por debates ácidos e ríspidos. A declaração de Ciro, questionando a aparência de Serra – chamando-o de feio, pronto, falei – e só o pontapé inicial para a pelada política de 2010. Serra, que promete trazer de volta as digitais de FHC, por outro lado, não entra nesse jogo, ainda. E faz cara de poucos amigos para provocações do oponente. Os rivais se mantêm bem na pesquisa, onde o candidato do PSDB esta em primeiro e o do PSB, está logo atrás, querendo ultrapassar.

Dilma Roussef, candidata do PT a presidência, fica feliz com a indicação de Lula e com os elogios de Hugo Chavéz – que afirma que ela vai manter vivo o legado criado pelo atual presidente. Fica tão feliz que sonha repetir o sucesso da fórmula criada pelo presidente americano, Barack Obama: usar a internet e telefones para arrecadação de fundos para a campanha. Em referência à famosa expressão do presidente dos Estados Unidos (“Sim, nos podemos), eu afirmo: não, ela não pode. Vai demorar bastante para surgir alguém à altura da campanha de gente grande – e inteligente – igual àquela de Obama.

Chega de puxar saco. Chega de política mal executada. É assim que Marina Silva, do PV, pretende ganhar as eleições. É melhor ela melhorar o discurso, porque em tempos de carta na manga, não existe discurso vencedor sem veneno escorrendo no canto da boca. Pelo menos assim aparentam ser as eleições a presidência do ano que vem. Assim funciona a pelada política do nosso país. A torcida está desnorteada, os jogadores estão a postos, doidos para dar carrinho uns nos outros, e o juiz já está maldito. Que o jogo comece.

“A MTV Brasileira quer ser Norte-Americana”

vma vmb

Assistindo ao VMA, Video Music Awards, que é a premiação da música e dos clipes norte americanos, me assustei. Sim, me assustei. Não pela supervalorização pelo espetáculo das apresentações com letras vagas (nem todas, claro), mas sim pela divulgação excessiva do VMB, versão tupiniquim da premiação americana. Não pára por aí. A questão vai bem mais longe quando notamos que a música brasileira mostrada pela MTV do nosso país parece bem perdida . Parece que não caiu a ficha de que nossa MTV, que tem o foco cem por cento em São Paulo, não percebeu que aqui não é Nova Iorque e que o evento citado anteriormente, no Brasil, só vem perdendo forças. A emissora vem reforçando – e nos sufocando com – essa idéia da moda “cult” e pop importada lá da parte de cima da América. Não vou tirar o mérito de Nova Iorque. Muito pelo contrário, bato palmas para a influência massiva que causa sob outros países e culturas.

Mas aí que está a problemática. Uma vez, o espectador assiste à shows do antigo Charlie Brown Jr, Paralamas do Sucesso, Titãs, e à “primeira” Pitty; em seguida, músicos como  Black Drawing Chaws, Emicida, Júpter Maçã, Nervoso e os Calmantes e Pública(!!!) estão sendo indicados ao prêmio deste anos de 2009. Falem a verdade: vocês já escutaram ou ouviram falar de algum destes grupos? Não! A visibilidade musical da MTV brasileira se perdeu faz muito tempo, priorizando programas como: Acesso MTV, com uma péssima apresentação por Léo Madeira (e outras duas meninas que não me recordo o nome) durante duas horas de atração; Quinta Categoria, com Marcos Mion, que é um cara talentoso, mas falhou nesse programa, plágio mais que óbvio do programa americano “Whose Line Is It Anyway?” e da peça carioca “ZÉ – Zenas Emprovisadas”; entre outros programas. Isso, sem comentar na quantidade de LAB’s que existe e na hiperdosagem do incrível humorista Marcelo Adnet, que aposto que faria o dobro de sucesso se não fosse esse peso morto que é a MTV brasileira.

Confesso que até pouco tempo acompanhava certos blocos do canal, porém, Multishow ganhou muito mais minha confiança pois não se preocupa em criar rótulos ou forçar uma posição musico-cultural dominante, precisando ser indie, emo, pop ou MPB – isso porque agora é “cult” curtir Erasmo Carlos e escutá-lo na chamada “grande premiação da música brasileira”.

A verdade é que a cultura está em todos os lugares, todas as músicas, roupas, tradições, costumes e gostos. Não vale rotular ou viver pensando em como copiar de outra pessoa, nação ou emissora. Acredito que sim, a MTV brasileira teve seus tempos de glória e de festa, mas isso tudo ficou para trás, com ótimos apresentadores como Didi Wagner, Edgar Piccoli, Fernanda Lima, Sabrina Parlatore e Sarah Oliveira e o “antigo” Cazé. Hoje, para quem ainda assiste ao canal, está entregue a uma “fotologueira” chata de cabelo azul e ao VMB que, quando crescer, quer ser VMA. Viva a cultura individual de cada um de nós.

VMA 2007

VMA 2008

“Uma Visão Apocalítica Sobre o Homem”

*Uma reflexão sobre o homem na sociedade atual

Fazendo uma contagem sobre os prós do Homem para a humanidade, é incontestável todo o valor que ele possui; através de conquistas de sobrevivência, realizando descobertas, grandes construções e dando passos largos para um avanço a favor da saúde, do bem estar e da comunicação da sociedade onde vive. Mas deve-se admitir que existe um grande “porém” em toda essa história, onde o Homem é a mente criadora de todos os males atuais: das guerras por terra ou com bomba nucleares, até disputa por petróleo e todas as ramificações da questão do aquecimento global.

Culpado? Inocente? Não. Carente.

Vamos voltar no tempo em que o Homem, homo sapiens, sente a necessidade de fixar-se na terra, cultivando alimentos e praticando a agricultura. Nesta primeira profissão da história vemos que ele precisa trabalhar em grupo, o que o força à comunicação com outros indivíduos. Acredito que, se nós nos comunicamos, é por trabalho (de ser cidadão, de ser um empregado, de conviver com outros indivíduos) ou por carência. Veja, o homo sapiens busca alguém que possa ajudá-lo naquela atividade gerando frutos para próximos, ou seja, para um bem maior. Assim como todos são. Mas a “carência”, sim, é a questão. Com o passar dos tempos, o Homem vive em busca de algo para se apoiar, para se manter em ocupação, vivo. Seja um ombro para chorar ou se divertir, ou para atingir outras pessoas.

Pequenos telefones celulares prometem diversão estrondosa, eventos garantem uma chance de momento inesquecível, sites causam polêmica, “quantos amigos você tem no Orkut?”, “quantas pessoas estão te seguindo no Twitter?”. O que é isso? É a tentativa do Homem de reconquistar aquilo que está ameaçado: a presença. Quando escrevo neste blog, espero que alguém esteja lendo e me compreenda, criando uma forte relação de “volte sempre se concordar com o que eu falo”, não mais de “informe-se e enriqueça seu intelecto”. A mensagem que a evolução dos meios passa é essa: perca-se; conheça pessoas e interaja online para que, através da internet, você possa fazer amigos pois aqui é bem mais legal!