Resenha – “Distrito 9” (2009)

Para inovar o novo cenário do cinema, diretores e produtoras têm procurado pela fórmula perfeita para o sucesso. O difícil é inovar sem ser criticado por isso; criar algo totalmente diferente do modelo hollywoodiano, causar agito, boas críticas, repercussão e sucesso, é quase que um desafio. A busca continua e alguns filmes já mostram cenas, sequências, planos e atuações implacáveis: técnicas de câmera na mão, como em “REC”, “Cloverfield” e “Filhos da Esperança”; prevalecimento de certas cores, como em “Quem Quer Ser um Milionário?”, com tom quente; entre outros. Tive acesso a “Distrito 9”, longa que chega aos cinemas brasileiros em 30 de outubro e deu o que falar nos EUA, sendo líder de bilheteria em agosto deste ano.

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Para que “Distrito 9” possa ser apresentado é necessário relevar que Peter Jackson, o diretor do gigantesco sucesso da trilogia “O Senhor dos Anéis”, comanda a produção do longa, que tem direção de Neill Blomkamp, estreante em cinema. O enredo é de fácil entendimento e envolvente pela proximidade com aquilo que se vive nos dias atuais: uma enorme nave alienígena chega a Terra em 1982, sem nenhuma explicação, trazendo consigo um povoado alienígena em busca de refúgio que com o passar de 28 anos, sofrem preconceito social. Tudo acontece na África do Sul, no estado de Johannesburgo, onde uma empresa chamada MNU planeja despejar os alienígenas, porém, ela mostra outros interesses, com o passar do filme. Estranho? Digo que não. Peço para que se prepare para presenciar uma mudança forte no cinema e abra sua mente e seus conceitos para este grande sucesso.

A história é de se estranhar, sem dúvidas, justamente porque iremos assistir “a mais um filme sobre alienígenas versus terráqueos” – desta vez sem Will Smith e toda a figura caricata do ser de outro planeta. Acontece que em “Distrito 9”, os ideais são muito bem propostos em formato de documentário, sendo assim, um documentário fictício sobre a coexistência entre humanos e extraterrestres durante 20 anos. O longa traz à tona diversas questões sociais como xenofobia (preconceito com estrangeiros), disputa territorial e luta pela democracia entre raças. É um filme claramente adulto e maduro, quanto aos fatores citados e com certeza não peca em nenhum segundo durante quase duas horas de exibição.

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A produção de Peter Jackson cria momentos de grande tensão, suspense e drama. É extremista quando diz respeito às sensações que causa no espectador. O documentário fictício também narra a história paralela de Wikus Van Der Merwe, funcionário da duvidosa empresa MNU, encarregado de coordenar o despejo dos alienígenas do Distrito 9 que acaba passando por experiências que vão acabar com a vida que ele conhecia, quando foi exposto à uma química dos outros seres. Wikus é um humano como qualquer outro e evolui a cada volta que sua vida dá; isso praticamente personifica o espectador, fazendo com que você torça para ele em todos os momentos do filme.

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Devo avisar que a produção não contém atores famosos, mas compensa com uma história memorável, forte e inovadora. Você vai se assustar com o vínculo que vai criar com os personagens, com a sociedade em conflito e com toda a história sobre tais acontecimentos do ano de 2010 mostrados no filme. Muito inteligente, crítico e incrivelmente bem feito em todos os aspectos (efeitos especiais, trilha, atuação, planos de filmagem, conceito, etc), “Distrito 9” é o primeiro de uma linhagem de filmes que vão revolucionar a maneira de se assisti-los. Não é o cinema que conhecemos. Ainda.

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Resenha Crítica – “Numb” (2007)

Difícil traduzir os 93 minutos que o “Numb”, dirigido por Harris Goldberg, proporciona a um espectador. O filme, de 2007, tem nuances de drama, comédia e romance. Todos os elementos se misturam facilmente, encaixados em exata dose e lugar.

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O enredo é sobre um roteirista, Hudson, que desenvolve um distúrbio de despersonalização, o que o faz perder o senso de realidade e sonho. Quando o personagem encontra o amor da sua vida, é hora de colocar os pés no chão e fazer de tudo para que ela não o abandone por seus defeitos, pulando de terapias e lidando com personagens estranhos no caminho. Neste trajeto, ele enfrenta fantasmas do passado, num relacionamento conturbado com a mãe, contrastando com o carinho infinito pelo pai, que Hudson teme que morra.

Interessante, não? Fica melhor quando o incrível ator Matthew Perry assume as rédeas da atuação sob o personagem Hudson. Perry, muito conhecido pelo papel do sarcástico Chandler, em “Friends”, tira de letra o papel e o desenvolve continuamente durante o filme, dando uma sensação de que sempre podemos esperar algo novo do personagem principal – uma característica muito boa que o ator sempre aplica em seus trabalhos.

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Citar o gênero “romance” neste filme requer certo cuidado, uma vez que este seja banalizado, por soar sempre previsível. Bom, “Numb” veio pra mostrar que é uma exceção, assim como poucos filmes por aí. O longa pode ser comparado à “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”. Não pelo enredo, mas sim pela química excepcional entre os personagens que parecem sempre, ao decorrer do filme, se libertar, se surpreender – e, conseqüentemente, fazendo o mesmo com quem assiste ao filme.

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A ferramenta encontrada para dar credibilidade ao amor surge tão sutilmente que você se apaixona pela maneira como ele é oferecido; fazendo o espectador flutuar sob efeito de frases, diálogos e atitudes inesperadas, acompanhadas de uma trilha sonora alternativa e implacável. “Numb” vai além das expectativas geradas pelo trailer, propondo uma “viagem” entre o que é real e o que é sonho sobre o amor, as pessoas e a vida.

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Resenha Crítica – “What Just Happened” (2008)

Não se pode negar que Robert De Niro criou um estilo de atuação implacável e único, dispondo de expressividade facial marcante e leitura de texto impressionante. No filme “What Just Happened”, de Barry Levinson, Robert De Niro é o famoso produtor cinematográfico hollywoodiano Ben. A trama do longa gira em torno da rotina turbulenta desse personagem e da maneira como ele lida com as situações imprevisíveis que surgem. Com alguns minutos de filme, nota-se que o humor negro e o sarcasmo são os pontos altos que dirigem cada diálogo, combinados com personagens e acasos “explosivos”, levando Ben à loucura com uma avalanche crescente de problemas. As críticas ao show business hollywoodiano são tantas que o espectador pode até se assustar, deixando a dúvida no ar: o que é verdade no filme?

Além de De Niro, o longa ainda conta com Bruce Willis, Sean Penn, John Turturro e Catherine Keener. É um ótimo filme para quem busca conhecer um lado mais pessoal do meio cinematográfico norte americano. “What Just Happened” domina o espectador com o fator “imprevisibilidade” devido à atuações dinâmicas e enredo repleto de críticas e sarcasmo.

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Resenha Crítica – “O Homem Que Era Super-Homem” (2008)

Suave e intenso. Palavras totalmente opostas encontram um lugar para residir no filme “O Homem Que Era Super-Homem”. A obra, de 2007, dirigida por Jeong Yun-cheol surpreende nas sensações que causa no telespectador: risadas e lágrimas se misturam de uma hora para outra. Com uma história extremamente criativa – ao mesmo tempo em que simples – é possível se impressionar com cada segundo do longa. A trama gira em torno da relação entre uma repórter que se encontra em crise profissional, cansada daquilo que faz, e de um desconhecido que diz ser o Super-Homem – e acredita completamente nisso. Neste homem, a jornalista vê um motivo para se libertar da realidade e preencher o vazio da vida com imaginação. Porém, ela descobre que o “Super-Homem” esconde uma história repleta de emoção, bloqueada por sofrimento do passado.

Com uma linha de raciocínio bem simples de seguir, pode-se interpretá-lo da maneira que quiser, definindo que tipos de “finais” você pode assistir. De fato, o filme brinca com a imaginação do telespectador, porém, no final das contas, vemos que a realidade toma seu lugar de maneira única, suave e intensa.

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